Kumika no Mikaku, e a tal “experiência” gastronômica

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Bom, quem me conhece sabe que gosto muito de mangás (quadrinhos japoneses). Me envolvi muito com a produção deles, na época em que eram raramente publicados, fazendo traduções. Não era nada especializado, mas sim algo feito de fãs, para fãs. São os chamados scans.

Hoje num agregador, localizei uma história deveras interessante. Seu nome é “Kumika no mikaku” e, basicamente sua história gira em torno da personagem principal, Kumika, num cenário onde o planeta Terra recebe vários tipos de aliens em convivência pacífica. A protagonista é de uma espécie que retira seus nutrientes do ar, não tendo necessidade de comer. Entretanto, depois de uma gripe, ela se abre para novas experiências, quando descobre como a comida na terra é farta.

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Páginas de “Kamika no mikaku”. Como é um mangá, leia de cima para baixo, da direita para a esquerda. 😉

Dito isso, é interessante em perceber como o autor trata com leveza a “experiência” da personagem. Afinal, ela NUNCA comeu, e cada prato é uma experiência única para ela. Também são tratados diversos aspectos do que envolve uma refeição, como a felicidade de partilhar, de fazer, e as questões éticas acerca de desperdício e abate, tudo de uma maneira leve.

O que nos faz refletir sobre tantas coisas sobre o ato de comer. As vezes sinto uma certa repulsa por essa supervalorização da tal “experiência” gastronômica. Claro, criam todo um arcabouço de ilusões para disfarçar que na realidade, você só está matando um desejo primal, que é a fome.

Mas, mas do que isso comer envolve tantas outras coisas, que as pessoas esquecem de por em sua “experiência” gastronômica. E acho que a história em si ganha um bom tom ao levar esses assuntos com leveza, pois a protagonista vivia em um planeta de recursos escassos, onde refeições eram privilégios das castas mais altas.

Claro que todo o sensorial conta. Mas, O QUANTO é o que conta, e partir do momento que isso é uma moeda de troca, o quanto isso é supérfluo nessa aventura que é comer para viver, ou viver para comer?

Acho que vale a pena dar uma lida, principalmente porque são apresentados vários pratos japoneses mais frugais, dos bentôs e a comida do dia a dia do Japão, sem aquela cerimonialidade que as vezes nos é passada como “a experiência da refeição japonesa”.

É claro, não se deve ignorar o caráter simbólico, cultural e milenar que os japoneses dão a estética, a apresentação, as cores e sabores de seus pratos. Mas também devemos pensar que também há o exercício do petisco descompromissado, da refeição reconfortante e todos os demais aspectos que talvez façam parte dessa experiência gastronômica, mas que ficam à parte por talvez, serem menos rentáveis.

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Em tempo: quem tá trampando pra trazer esse maravilha é a galera do Morro dos Scans. Você pode ler a obra aqui, aqui ou aqui.

 

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